Sábado, 22 de Novembro de 2008

Tailândia: sexo, massagem, budismo e boa comida...

Chegamos ao sudeste asiático após nossa passagem pela Índia e pelo Oriente Médio. Bangcoc, na Tailândia, foi nosso primeiro destino -- assim como para a maioria dos turistas que viajam para essas bandas -- e um misto de satisfação e alívio. Satisfação por que não imaginávamos chegar tão longe nem sobreviver a tantas aventuras e adversidades no meio do caminho. Alívio por que a Tailândia é um país muito seguro para viajantes em geral, além de oferecer uma estrutura invejável em termos de sudeste asiático, com preços razoáveis e uma grande diversidade cultural, natural e religiosa. Por sua privilegiada posição geográfica, decidimos dividir nossa passagem pelo país em duas partes: nessa primeira etapa seguimos para o norte, cruzando a fronteira para o Laos e, em seguida, para o Vietnã por terra.

A capital Bangcoc é uma cidade com muitas vertentes que fazem jus a sua vocação cosmopolita. A vida noturna é de longe uma das mais agitadas de todo o continente com ofertas que incluem uma infinidade de bares, boates, karaokes, restaurantes, feiras-livres e festivais, tudo regado a muito álcool, sexo, massagem e comida (muita comida!). E tatuagens, para os adeptos. Os tailandeses são pessoas que sabem aproveitar (ou como fazer o turista aproveitar) as coisas boas da vida. Massagem, sexo, entretenimento... Mulher, homem ou katoey... Vale avisar que se um motorista de tóc-tóc oferecer uma corrida para algum "ping-pong show" ele não está se referindo ao tênis de mesa.

Famosos também pela rica e suculenta culinária, comida é um assunto sério. Reconhecidamente uma das mais saborasas do mundo, a culinária tailandesa exerce um grande facínio sobre os estrangeiros. Restaurantes e vendedores de rua disputam o coração e o paladar de seus clientes. Comer nas ruas, especialmente nas feiras-livres, é uma das experiências mais fantásticas que o país pode proporcionar. No entanto, é preciso tomar um certo cuidado com a comida apimentada. Em lugares frequentados por turistas, em geral, a comida é preparada sem a popular pimenta malagueta, que poderá ser adicionada de acordo com o gosto do fregues. Em lugares frequentados por locais é 100% garantido: a comida será excessivamente apimentada. O que não é de todo mal, já que sempre é possível pedir uma das deliciosas cervejas locais para refrescar a garganta.

O budismo é onipresente na Tailândia. Monges se espalham por toda o país em seus trajes alaranjados pregando o "caminho do meio" junto aos reverentes tailandeses. A quantidade de templos e imagens de Buda chega a ser um exageiro. Outro patrimônio dos tailandeses é a venerada Família Real. A figura do rei Bhumibol Adulyadej, assim como o budismo, é onipresente. A obsessão vai tão longe que pisar em uma nota de dinheiro com a imagem do rei pode dar até cadeia. Comerciantes espalham fotos do monarca por seus estabelecimentos num misto de reverência e superstição. Se isto está trazendo sorte para a população é difícil de dizer, mas certamente está trazendo sorte ao rei, que mantém o mais longo reinado do mundo, há mais de seis décadas no poder.

Quinta-feira, 20 de Novembro de 2008

Aventura nas montanhas

Casa na floresta: a cidade de Pai é uma alternativa para quem quer fugir do clima de cidade grande e da multidão de turistas em Chiag Mai.


Quem nunca suspirou ao ver as belas fotos de bangalôs nas praias paradisíacas da Tailândia? Mas o que muita gente não sabe é que existe uma área imensa, e belíssima, a ser explorada no norte montanhoso. Já no caminho de Bangcoc para Chiang Mai, a maior e mais conhecida cidade dessa região, percebe-se que o caminho leva para cima e para cima. No entanto, é rumando para Pai, na província de Mae Hong Son, que a estrada revela um paraíso verde. A jornada requer um estômago forte, são cerca de 3 horas de microônibus em um caminho cheio de curvas. Mas vale o esforço.

A cidade de Pai, com apenas 3 mil habitantes, se tornou famosa pelo seu jeito de alternativo, onde turistas podem relaxar após um dia de caminhada pelas florestas ou então depois de passar pelas praias ao sul normalmente lotadas de turistas. A estrutura do local é a maior prova de que Pai se tornou uma grande atração. Há uma infinidade de albergues, pequenos hotéis ou até resorts com águas termais, bares e restaurantes servindo comida local (típica do norte), clássicos tailandeses como noodles, ou até mesmo hamburguer, massas e pizza. O preço dos pratos "ocidentais", no entanto, são bem mais altos do que a deliciosa e saudável comida tailandesa. Não perca a oportunidade de experimentar Kao Soy, um tipo de noodle com curry, ou comer uma deliciosa sobremesa indiana -- o roti (foto) uma espécia de panqueca recheada normalmente com banana e coberta com leite condensado ou chocolate etc. As variações são inúmeras e igualmente saborosas.

A região também oferece dezenas de passeios na floresta, como trekking por tribos locais, cachoeiras, cavernas, quase tudo acessível de mountain bike ou moto. Alugar uma scooter é fácil e barato. Já quem quiser passar alguns dias na floresta, acampando e conhecendo tribos locais, terá que dispensar um pouco mais do orçamento. O tradicional trekking aqui tem um gosto bem tailandês e pode conter uma voltinha nas costas nuas de um elefante, com direito a um banho no rio na companhia do amigo de peso. Ou então o rafting de bambu, que não chega a dar muita adrenalina, já que as corredeiras por aqui são calmas e o bambo não é lá muito forte para aguentar águas mais furiosas.

O tempo de estadia em Pai varia de acordo com o que o turista espera. Se a intenção é de somente fazer um trekking ou experimentar as aventuras locais, uma semana é mais do que o suficiente. Agora, se você pretende somente relaxar e curtir o ar fresco das montanhas, fique a vontade para alugar um bangalô por um mês. A pequena Pai tem opções para todos os bolsos e gostos por aventura.

Segunda-feira, 20 de Outubro de 2008

Índia: uma rota clássica

A Índia foi um dos países mais pobres e mais baratos por onde passamos. Ainda assim, um dos mais compensadores. Honestamente, nossas expectativas eram tão negativas que isso acabou potencializando a nossa experiência. Infelizmente, tivemos apenas vinte dias para viajar pelo país e por isso optamos por fazer uma rota clássica e, portanto, mais turística que incluiu as cidades de Deli (capital), Agra (Taj Mahal), Orchha, Khajuraho (templos do Kama Sutra), Varanasi (rio Ganges) e Calcutá. A nossa sorte foi termos viajado pelo país às vesperas da alta temporada, o que significa uma demanda ainda baixa para um excesso de oferta. A verdade é que a Índia é um destino acima do ordinário e uma vez lá será impossível não ter as estruturas abaladas -- para o bem ou para o mal. Pobreza e miséria se misturam a uma das culturas mais extraordinárias do mundo. Religião, culinária, música, moda, dança, artes, filosofia e uma imensurável paixão por cinema servem ao deleite dos turistas com apetite por aventura.

Nossa jornada começou na capital Deli, para onde toda a Índia converge numa mistura alucinada de cultura e política. De um lado a maioria hindu (predominante no sul) e, do outro, a minoria muçulmana (predominante no norte) vivem atualmente um momento de tensão política. Isso, porém, não afeta o dia-a-dia da cidade mais cosmopolita da Índia. Em apenas 20 dias no país, acompanhamos através do noticiário uma sucessão de atentados à bomba orquestrados pela oposição muçulmana fundamentalista contra o governo hindu liderado pelo primeiro ministro Manmohan Singh, assim como a prisão de suspeitos de terrorismo. A parte disso, a Índia segue a vida lutando para combater os altos índices de pobreza e se estabelecer como um das novas potencias mundiais.

Depois de um compensador fim-de-semana em Deli, e ainda nos adaptando aos cheiros e sabores da Índia, seguimos para Agra (a cerca de 200 km da capital) para ver o Taj Mahal. Optamos por passar duas noites lá para termos a oportunidade de gastar um dia completo na cidade, onde também é possível visitar o imponente Forte de Agra. É importante lembrar que viajar por terra pela Índia é uma tarefa que vai consumir pouco dinheiro, mas muito tempo. O país é grande e bem servido em termos de ferrovias e rodovias, porém os atrasos são uma constante e a dificuldade de encontrar tíquetes na alta temporada pode arruinar quaisquer planos. É preciso acrescentar ainda que descobrir a Índia por terra é um desafio que demanda persistência, coragem e desapego ao conforto. Porém, é uma experiência de vida.

Após cumprir nossa missão mais importante no país visitando o Taj Mahal, seguimos para a cidade de Orchha, uma das mais proeminentes cidades da Índia no século 16. Hoje, a cidade praticamente rural vive uma efevercência turística que reflete o seu poder e riqueza no passado com um diversidade única de palácios e templos. A atmosfera amigável dos habitantes dessa pequena cidade será um momento de alívio e descanso após Deli e Agra. Mais descansados, seguimos para Khajuraho para visitar os templos do Kama Sutra. Além da sacanagem (inúmeras cenas de sexo explícito esculpidas em algumas dezenas templos do sexo espalhados pela cidade), a arquitetura desses prédios se distinguem como uma das mais sofisticadas manifestações de arte em toda a Índia. Khajuraho também é um dos principais centros para a prática de ioga no mundo. Viajantes realmente interessados no assunto certamente devem dedicar mais tempo a cidade graças a abundante oferta de classes de ioga. Cuidado, porém, com os charlatões, mais interessados no equilíbio do corpo do que da mente!

Definitivamente, Orchha e Khajuraho são paradas importantes no caminho para Varanasi, provavelmente o destino religioso mais importante os hindus. Famosa por ser a terra do sagrado rio Ganges, a atmosfera de Varanasi pode ser pesada em vários sentidos. Um incontável número de fiéis segue para lá com o intuito de acompanhar as cerimônias de banho e cremação que se sucedem no imensamente deteriorado rio. Hospedar-se na parte antiga da cidade, onde se concentram o ghats, (ou crematórios, numa tradução bastante pobre), é definitivamente a melhor opção. Entretanto, o excesso de pessoas e vacas que povoam as ruas estreitas dessa área certamente será um desafio até para as pessoas mais flexíveis. Varanasi também é um dos mais importantes centros universitários e educacionais voltados para cultura hindu. Muitos estrangeiros se estabelecem por lá para estudar música, religião, dança, artes, filosofia e cultura. Embora seja uma das cidades mais ricas da Índia, pobresa e miséria são excessivamente visíveis em todas as partes da cidade, especialmente na histórica. Os níveis de criminalidade por lá também são altos até para padrões indianos, portanto ficar alerta pode prevenir muitos inconvenientes. A melhor época para visitar Varanasi é durante os inúmeros festivais que acontecem na cidade ao longo do anos. Se você tiver a sorte de estar por lá durante alguma festividade, aproveite!

Por fim, saímos de Varanasi numa viagem de 20 horas de trem (incluindo atrasos) para Calcutá. Ao lado de Deli, Mumbai e Bombai, Calcutá é um dos grandes centros urbanos do país e pode gerar uma boa economia para viajantes que pretendem seguir para o sudeste asiático, com voôs regulares e significativamente mais baratos. A cidade, por sua vez, é altamente urbanizada e pode ser bem difícil de explorar. Tivemos a sorte de acompanhar o multicolorido festival Puja, uma competição de imagens do deus Durga que acontece anualmente na cidade no início de outubro. A despeito da Madre Teresa, a presença de cristãos na cidade não chega a ser visível. Porém cristãos piedosos podem visitar a ordem fundada pela freira, Missionárias da Caridade, e dedicada a aliviar o sofrimento de pessoas pobres e desvalidas à beira da morte.

Comida, higiene e drogas
A Índia é famosa por oferecer uma das culinárias mais ricas do mundo. A tradição das especiarias, que colocou o país por quase 500 anos sob sucessivos domínios de países europeus, permanece viva e, com o perdão do trocadilho, ardente. Contrariando a lógica cartesiana, comer nas ruas pode ser mais saudável do que em restaurantes, uma vez que os hábitos de higiene estão muito abaixo dos padrões internacionais. Se decidir comer na rua, tenha certeza de que a comida está sendo preparada na hora e com ingredientes frescos, o que acontece na maioria das vezes. Entretanto, a comida apimentada será um desafio maior para estômagos e intestinos do que a higiene em si. A grande maioria dos indianos são vegetarianos, o que proporciona uma comida bem leve e altamente digestiva. Portanto, abondone seus preconceitos e tente experimentar as maravilhas culinárias do país. Para os carnívoros vale avisa que cardápios não-vegetarianos se resumem ao acréscimo de frango (hindus não comem carne de vaca, por óbvias razões) aos pratos originalmente vegetarianos. Em resumo, a culinária será um dos fatores mais ricos numa viagem à Índia.

Um kit básico de higiene que inclua papel higiênico, bactericidas e lenços é fundamental para sobreviver na Índia. Em destinos turísticos, como a rota clássica, esses ítens são encontrados com facilidade. Porém lembre-se de estocá-los na sua mala para viagens a destinos menos turísticos e longos trajetos de ônibus e trem. No que diz respeito a água, NUNCA, JAMAIS arrisque-se a tomar água que não seja engarrafada (mineral ou purificada) e, se for o caso, mantenha uma garrafa para escovar os dentes no quarto do hotel. Mas não seja paranóico, pois há uma grande oferta de água potável no país. O único problema é que não existe um controle extensivo de qualidade dessa água, dificultando a identificação entre a boa e a ruim. Em 2o dias no país, não tivemos qualquer problema de saúde.

Outra coisa importante: drogas na Índia é algo amplamente disponível. Muitos vendedores de roupas, motoristas de tóc-tóc, vendedores de comida, recepcionistas de hotéis etc. conduzem esse tipo de atividade paralelamente, além dos traficantes em tempo integral. E é possível encontrar de tudo, de baseados a ópio. Tome cuidados em relação a esse tipo de oferta, mas se você estiver no clima de embarcar nessa viagem evite ruas pouco habitadas e escuras. Você pode ir de consumidor à vítima num estalar de dedos. A polícia, que normalmente poupa os ricos turístas de embarassos e problemas diplomáticos, está pegando pesado no combate ao tráfico, conforme acompanhamos nos noticiários, e incluindo estrangeiros na lista de alvos de suas diligências. Portanto, fique alerta e lembre-se que a Índia já é uma grande viagem em si própria.

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Terça-feira, 14 de Outubro de 2008

Terra das mil especiarias e deuses... e do Taj Mahal

A Índia é para muitos, afinal nada menos que um bilhão de pessoas habitam o país, e para poucos: a experiência exige uma mente aberta e um estômago de aço. No entanto, uma visita ao Taj Mahal compensa qualquer desventura.

Uma experiência para todos os sentidos do corpo e, para muitos, uma experiência espiritual. É isso que a Índia oferece desde o primeiro momento em que se pisa por essa terra cercada de muito verde, animais selvagens e, claro, a vaca sagrada para os hindus. É preciso ter estômago de ferro para agüentar a comida apimentada e os cheiros característicos de todas as cidades indianas -- uma mistura de bosta, curry e incensos. Mas se você possui a capacidade de ver a beleza da Índia acima disso, aos poucos vai perceber que o conjunto é a Índia. E ponto.

Descrever essa nação com nada menos que 1 bilhão de habitantes, sendo que metade está abaixo da linha da pobreza, é difícil. Isso porque a Índia não tem comparação. Talvez por isso seja o principal destino para aqueles que procuram uma reflexão espiritual. Você se sente sem bases por aqui, o mundo parece girar em outro sentido nesse lado do hemisfério. Esse tipo de vácuo acaba abrindo a possibilidade para que muitos visitantes também dêem uma girada no seu próprio mundo.

Soube de muitas histórias de estrageiros que não suportaram o baque dessa mudança. Por isso mesmo, é preciso vir de mente aberta. Até porque, os indianos, na maioria hindus, são muito gentis e doces. Não olham para o estrageiro com desconfiança ou como uma nota de dólar ambulante. Para aqueles que não estão muito abertos a experiências transculturais, uma simples visita ao Taj Mahal, na cidade de Agra (193 km de Deli), já vale toda a viagem. É possível passar horas e horas simplesmente olhando o efeito da luz do sol sobre o mausoléu imenso construído com mármore branco translúcido. O único motivo para sair dos lindos jardins simétricos e espelhos d’água é a fome -- não é permitido levar nenhum tipo de alimento para dentro dos portões. Por isso, tome um café da manhã reforçado e vá conhecer o maior monumento de amor de um homem por uma mulher. É de se tirar o fôlego e esgotar a memória da máquina fotográfica.

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Mito ou verdade?

Só viajando para descobrir que mitos são verdade ou fruto de uma mente criativa. Na Índia as vacas realmente andam livremente nas ruas? As francesas não depilam as axilas? Os ingleses tomam o chá das cinco? Os árabes são terroristas por essência? As ruas suíças são cobertas de ouro? Os alemães tomam cerveja morna? Chove o tempo todo na Escócia? Os portugueses são mesmo como nas nossas piadas? As tailandesas são realmente o sonho de consumo de todo homem?

Bom, em mais de seis meses de viagem posso dizer que encontrei vacas por toda a parte na Índia; francesas com os suvacos peludos; tomei litros de chá inglês 24 horas por dia; não vi violência nenhuma no Oriente Médio; nada de ouro na Suíça, mas uma forte cultura de economia; tomei cerveja quente e caríssima em Munique; viajei a Escócia com sol brilhando e somos mais portugueses do que imaginamos. Minha última descoberta, entretanto, é que as tailandesas exercem um fascínio incrível sobre os homens, principalmente americanos e europeus. Existe um glamour ao redor dessas asiáticas lindas, doces, boas donas de casa e, diz ainda o mito, cheias de técnicas sexuais. A ligação sexual é evidente e a massagem tailandesa está aí para comprovar. Não que toda massagem por aqui envolva prostituição ou ping pong show -- práticas, aliás, que movimentam uma indústria de US$ 4,3 bilhões na Tailândia. Mas a técnica local envolve muito contato físico, força e, claro, os homens ficam caidinhos. Elas, que são doces mas nunca bobas, aproveitam bem. Nada difícil encontrar um europeu ou norte-americano de mãos dadas com uma tailandesa em Bangkok, capital da Tailândia. Elas sabem usar bem o glamour que as envolve há centenas de anos. “Nada mais perigoso do que uma mulher que sabe o poder que tem”, já ouvia da minha sábia mãe. Outro mito confirmado!

Segunda-feira, 13 de Outubro de 2008

Uma das Sete Maravilhas

É impossível explorar Petra em um único dia. Sabendo disso, o governo disponibiliza tíquetes para dois ou mais dias a preços econômicos. E vale cada centavo. Devido a proximidade, muitos turistas em Jerusalém (em Israel) fazem uma viagem de um dia para visitar Petra (na Jordânia), o que é uma pena. Se estiver na área vale reservar dois ou três dias para ver essa obra-prima.

Indiana Jones já passou por lá e deixou o registro no filme A Última Cruzada. Assim como o Cristo Redentor, no Rio, as ruínas da cidade de Petra na Jordânia também foram escolhidas em 2007 uma das Novas Sete Maravilhas do Mundo. E merecem o título. O passeio começa com uma imensa fenda com espaço para os turistas, carroças, mulas e camelos guiados por beduínos chegarem aos vários sítios arqueológicos de Petra. Aos poucos, a cidade que foi construída pelos Nabateus e que teve papel importante no comércio de especiarias no grande vale que vai do Mar Morto ao Golfo de Aqaba, vai revelando seu maior tesouro: prédios e templos escavados na pedra no estilo helenístico. Mas quem assistiu o filme do arqueologista mais famoso do cinema não tem a versão verdadeira do interior da Câmara do Tesouro (foto), um dos pontos mais fotografados pelos turistas. Isso porquê o interior mostrado no filme foi criado em um estúdio cinematográfico. Quem colocar os pés em Petra encontra paredes desenhadas com diferentes cores de formações rochosas, criando um arco-íris natural.

Será uma tentação, mas uma vez em Petra evite alugar um dos burricos da região para fazer o serviço pesado por você. Além de correr um sério risco de sofrer um acidente grave, você estará contribuindo para a exploração cruel desses animais. Muitos deles acabam na clínica veterinária mantida pelo governo com pernas e patas quebradas. Puta crueldade! Deixe de ser vagabundo, mexa essa bunda gorda e aproveite para perder uns quilos!

O filme também não revela os milhares de turistas que visitam Petra todos os anos e o lado mais triste do passeio: as dezenas de mulas usadas pelos beduínos para levar turistas menos preparados fisicamente para o topo de uma montanha que leva até o Monastério. A subida não é nada fácil, 800 degraus morro acima. Mas, o mais triste é ver a expressão dos asnos subindo e descendo, dezenas de vezes por dia, com a carga turistítica nas costas. Uma mula, que em geral pesa 400 quilos, pode carregar de 20% a 30% do peso do seu corpo. Conversando com um dos beduínos, dono de uma loja em Petra, descobrimos que as mulas carregam até 300 quilos de latinhas de bebida nas costas, para saciar a sede dos turistas no alto da montanha. Aliás, é de arrepiar assistir as mulas exaustas subindo os degraus curtos, lisos e sujos de estrume, com turistas com experiência nenhuma em cavalgar. Nativos nos informaram que existe um projeto que pretende acabar com o uso de mulas nos arredores de Petra, desde que o local foi escolhido uma das Novas Sete Maravilhas do Mundo. Se a história tem fundamento: pontos para o governo da Jordânia.

Domingo, 12 de Outubro de 2008

O Oriente Médio que os cristãos desconhecem

Crucifixo na Igreja Católica-Ortodoxa de Damasco, na Síria. A paróquia fica no interior do portão por onde, segundo a tradição, Paulo teria escapado de seus perseguidores.

No Ocidente, sempre que se pensa em turismo religioso no Oriente Médio o primeiro lugar que vem à cabeça é Israel (leia-se Jerusalém). Nada contra e nada de errado. Ao contrário, a cidade onde Jesus pregou suas idéias e enfureceu os judeus, que deram um jeitinho de crucificá-lo, é certamente o destino mais santo para os cristãos. Entretanto, aqueles mais interessados no cristianismo em termos de religião e de história terão de se desfazer dos muitos preconceitos relacionados aos países islâmicos e circular em torno de Israel para ver de perto as raízes do cristianismo. Certamente, um dos destinos mais espetaculares será a cidade de Damasco, na Síria, onde Saulo de Tarso, o perseguidor de cristãos, se transformou no apóstolo Paulo após uma visão do que seria Jesus. Incrivelmente, alguns dos lugares mais sagrados ao cristianismo primitivo resistiram à ação do tempo e do islamismo e hoje são tombados como patrimônio da humanidade. O mais incrível será perceber que as raízes desses cristãos pré-Império Bizantino ainda resistem no século XXI e não será necessário procurar muito para encontrar gente que ainda fala Aramaico, a língua de Jesus, naquela região. Como um adicional significativo, a Síria preserva alguns dos mais significativos registros da presença do Império Romano no Oriente Médio. Uma visita à cidade de Palmira revelará uma das mais fantásticas ruínas romanas do mundo.

Após ser devidamente catequizado por Ananias, cuja residência em Damasco foi descoberta praticamente intacta após escavações arqueológicas e hoje é uma mescla de capela e museu, Paulo saiu pelos arredores de Jerusalém, ao contrário dos demais apóstolos, pregando a sua visão das idéias de Jesus para os não-judeus. Em termos de Oriente Médio, isso significa que Paulo circulou pela Síria, pelos territórios palestisnos (inatingíveis no momento), pelo Líbano (Fenícia), Chipre e massiçamente pela Turquia, que ao lado da Síria será um dos destinos mais compensadores para quem quiser ter um profundo contato com mais de um milênio de domínio cristão na região, de Paulo à decadência do Imprério Bizantino. Nessas regiões, onde cristãos vivem à parte do poder exercido pelo Vaticano e à salvo do ímpeto protestante graças à ignorância dos evangélicos, cerca de 20 diferentes igrejas cristãs (cópticos, ortodoxos, gregos-católicos, maronitas etc., etc., etc.) co-existem suplantadas pelo domínio islâmico e árabe da região.

Mas não pára por aí. Ainda na região, o Egito certamente ainda tem muito a oferecer para cristãos profundamente interessados em suas raízes religiosas. A rota da Sagrada Família, fugindo da perseguição de Heródes, saindo de Israel, passando pelos territórios palestinos, até chegar ao Cairo, está prestes a ser fundada como destino turístico-religioso. A região também é conhecida por ter originado o conceito de monastério cristão. Leia mais sobre isso no post Egito: uma breve introdução.